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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Alter Ego

20
Mai19

Tortura


Laura Antunes

...Sem grande dificuldade venceste e abriste a porta do closet...refugiei-me atrás dela numa tentativa de prolongar a disputa.

"... a menina por acaso está a desfiar-me?"

Já conhecia aquele teu tom e ao que conduzia...como terminava era a incógnita.

Ri  e instintivamente agarrei do armário ao meu alcance um dos teus brinquedos...um chicote com umas tiras fininhas de camurça que escondi atrás das costas.

"... Laura...a menina tem a certeza que quer que eu a vá tirar detrás da porta?"

Mantive-me imóvel e preparada para te surpreender com umas chicotadas logo que te aproximasses...antevia a tua surpresa e a brincadeira que se seguiria...sentia-me uma criança num parque de diversões.

"...Laura...Laura...minha querida...vamos fazer uma aposta?"

Estavas a entrar na brincadeira e a desafiar-me.

- " vamos apostar o quê?"

" que sais nua detrás dessa porta e me vais obedecer..."

Dei uma sonora gargalhada.

- "...e como tencionas conseguir isso?"

"... facil minha querida...tiveste o azar de pegar no unico chicote capaz de te marcar...tens duas hipoteses ou sais daí nua e me obedeces ou vou buscar-te e faço-te o que te preparavas para me fazer..."

Corei até à raiz dos cabelos...era impossivel teres-me visto através do vidro fosco da porta e não eras vidente...olhei confusa em volta...o espelho ao fundo...traída mais uma vez pelos espelhos.

Suspirei...

"... então...como é que vai ser...a menina não queria brincar?"

-" ... não..."

"... não o quê?"

- " ... assim é batota..."

" ... batota é a menina andar a pegar no que está quieto...tenho de ir aí despir-te?...talvez leve o corta-papel como incentivo..."

Lembrei-me da lingerie destruida...e das sensações envolvidas...

Aquele jogo estava a começar a agradar-me.

- "... eu dispo-me..."

"... estou à espera...e pousa o chicote."

Sabia que não adiantava tentar iludir-te...vias-me pelo espelho...o que me excitava.

Pousei o chicote no sitio de onde o tirara e pensei por onde começar a tirar a roupa...via a tua figura parada através do vidro fosco mas não via o teu reflexo no espelho de onde me encontrava...desabotoei os calções que tinha vestidos e deixei-os cair aos pés...despi a t-shirt e fiquei só de cuequinha...hesitei...

" ... tudo...quero-te nua."

O meu corpo reagia à ideia de me estares a observar e ao que se seguiria...

Tirei a ultima peça de roupa que me cobria e deixei-me ficar nua atrás da porta.

"... vem..."

Sai lentamente  detrás da porta...olhaste-me de cima abaixo numa apreciação muda...pegaste-me na mão e conduziste-me para o fundo do closet em frente ao espelho...

..." o acordo é obedeceres-me."

Ali, nua, exposta...não tive animo para dizer nada...aquela situação deixava-me constrangida e excitada ao mesmo tempo.

Largaste-me a mão...fiquei parada a aguardar o que se seguiria...olhava o meu próprio reflexo no espelho.

Vi-te arrastar da parede o que supunha ser um cabide...uma cruz em forma de xis para perto de onde me encontrava que encaixava numa expecie de molas que a fixavam ao chão...instintivamente o meu corpo retraiu-se e enrijeceu num alerta.

"...Laura...confia...tens de confiar..."

Olhei numa interrogação para a cruz e depois para ti.

"... confia...nunca faria nada para te magoar..."

Pouco confiante em relação à utilidade daquele artefacto, mas certa do que me dizias, fiz um sinal de concordância...abeiraste-te de mim e beijaste-me suavemente:

"... já volto."

Fiquei imovel a ouvir o bater do meu próprio coração e o som da minha respiração acelerada...pensar...não pensava em nada tal era a expectativa sobre os próximos momentos.

Vi-te descalçar e tirar a t-shirt...ficaste vestido só com as calças de treino pretas...dirigiste-te ao armário das brincadeiras de onde tiraste várias faixas pretas e ficaste parado à minha frente.

" Laura...minha querida...hoje não te vou vendar...quero que olhes para o espelho e nos vejas...vou torturar-te até gritares...sempre que digas para parar...eu vou faze-lo...tenta não o dizer...se não for mesmo essa a intenção..."

Estavas a menos de um palmo de mim...a tua mão começou a percorrer-me a pele...o teu dedo indicador desenhava circulos no contorno do meu peito que reagiu ao teu toque, perante o teu olhar...continuaste a desenhar circulos em torno do meu umbigo e desceste até encontrares o meu centro de prazer que acariciaste numa provocação que me fez gemer e procurar ainda mais o contacto com a tua mão.

Sem suspenderes as caricias...encostaste-me as costas contra a cruz de madeira...levantaste-me os braços acima da cabeça e enquanto me beijavas senti um dos meus pulsos ser rodeado por uma faixa e preso a uma extremidade da cruz.

Percebi que em cada uma delas havia uma argola...seguiu-se o outro pulso e cada um dos tornozelos...fiquei imobilizada, exposta e em expectativa...sabia estar à tua mercê...à mercê do teu desejo... o que me deixava estranhamente excitada...o meu corpo reagia aquela situação de uma forma inusitada que eu não conseguia controlar.

Olhava o espelho à minha frente e o reflexo que me devolvia não o assimilava como sendo o meu...parecia-me irreal...uma cena de um filme que me despertava a curiosidade e a libido.

Via-te pelo espelho, junto ao armário das brincadeiras a pegar em objectos que áquela distancia não conseguia identificar...parecias saber exactamente o que querias porque não te vi hesitar...tudo reunido atravessaste o corredor que nos separava e pousaste tudo o que transportavas contigo em cima da mesa atrás de mim.

Dentro de mim a expectativa crescia...algum medo também...mais pelo desconhecido...também pela impotência.

Vieram-me à mente as tuas palavras: "... vou torturar-te até gritares..."

Senti um arrepio percorrer-me a espinha.

Olhei pelo espelho...consegui ver pousado em cima da mesa atrás de mim o chicote com tiras de camurça...uma nuvem de suor cobriu-me as costas.

Vieste por detrás de mim...senti algo aveludado na frente dos olhos...percebi ser uma máscara que me ataste à volta da cabeça com um laço...o meu reflexo no espelho mostrava que era de renda preta e fitas de veludo...conferia-me um ar misterioso e sedutor...semelhante a uma máscara de carnaval veneziana.

Passaste para a minha frente e ficaste parado em observação demorada...senti ser acariciada pelo teu olhar...tocaste-me com as pontas dos dedos os lábios...uma caricia tão subtil e terna que me provocou arrepios...senti o teu polegar invadir-me a boca...tocar-me a lingua até se embeber em saliva e sair dali até ao meu peito exposto que acariciou até eu própria o sentir rijo debaixo dele.

Ouvi-te num murmurio:

"... és tão linda..."

O meu corpo sentia uma urgência incomum de ser tocado por ti...talvez pela exposição forçada a que estava sujeito.

Olhaste fixamente para a evidente excitação que o meu corpo te mostrava...contornaste a cruz a que estava presa e novamente atrás de mim vi pelo reflexo do espelho pegares num frasco pousado em cima da mesa, derramares algum do liquido que continha numa das mãos e espalha-lo cuidadosamente desde os dedos até aos pulsos...um odor mentolado invadiu o espaço.

"...minha querida...vamos começar a tortura..."

Senti os músculos do baixo ventre, contrairem-se.

@LuzEmMim

 

 

 

 

 

 

 

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