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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

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Alter Ego

22
Mai19

Terremoto de emoções.


Laura Antunes

...Olhava o meu reflexo no espelho a ser chicoteada como se estivesse a ver um filme...a cena aparentemente violenta nada tinha a ver com a realidade do que sentia...percebia que me tinhas mentido para me impelir a despir-me e sair nua detrás da porta...como também me mentiras para criar a ilusão de uma dor que aquele chicote não infligia.

As tiras de camurça provocavam apenas uma enérgica massagem e estavas a escolher pontos pouco sensiveis para me fustigar.

Percebia que te dava prazer dominar-me... para me teres à mercê de provocar o meu corpo e ve-lo reagir...parecia-me ser essa reacção o poder que buscavas e apreciavas.

Percebi também que todos os artefactos envolvidos não eram mais que peças de uma encenação cujo unico objectivo era a sugestão psicologica.

Paraste de me chicotear quando o meu corpo atingiu o ponto máximo de prazer que aquela massagem podia proporcionar...parecias saber que dali para a frente o meu grau de excitação não evoluiria...e o efeito seria o inverso.

Interrogava-me sobre o que se seguiria...quais eram os teus proprios limites...percebia que o teu corpo também reagia e mantinha um grau de excitação elevado.

Admirava o teu auto-controle, como me admirava com a opção de secundarizares a atenção que te era devida...preterires o teu corpo pelo meu...como se o teu prazer fosse uma extensão do que me proporcionavas e existisse em função dele.

Eras o unico homem que conhecia a faze-lo...agradava-me a tua dedicação ao meu corpo mas deixava-me um pouco desconfortavel a impossibilidade de retribuir.

Deixaste o chicote pousado na mesa e vieste da lá com um objecto negro na mão cuja utilidade não me era evidente...colocaste-te à minha frente e eu preparei-me para mais uma porção de magia rumo ao êxtase.

Sussurraste-me ao ouvido:

"...preparada...minha querida?"

 Os teus lábios procuraram os meus num beijo que uniu as nossas bocas numa urgencia reprimida pelo contacto fisico que teimavas em adiar.

Enquanto tentava inutilmente aproximar-me de ti, senti no baixo ventre uma vibração que me esclareceu sobre o uso do objecto que seguravas...ondas de prazer invadiram o meu corpo...

Aquela massagem...a tua boca e mão livre que explorava cada milímetro da minha pele...enlouqueciam-me.

Era-me impossivel reprimir os gemidos de prazer, como me era impossivel controlar as reações do meu corpo àquela tortura.

"...sabes que não vou parar...não sabes..."

Sabia. Não era uma pergunta... era uma afirmação que me deixava ainda mais excitada pela expectativa, se isso era possivel.

Suponho que devido ao gel que usaste para me acariciar o martirio prolongou-se por um periodo de tempo que me pareceu simultaneamente longo e efémero... até que o meu corpo exausto cedeu a uma avalanche de prazer que me invadiu e sacudiu todo o meu ser...nesse instante, senti as bolinhas que me preenchiam serem retiradas e tu invadires-me, numa dança que me fez gritar alucinada pela sensação de me sentir fora do próprio corpo e este a desintegrar-se em particulas de luz.

Ouvi-te ofegante:

"...sempre gritaste..."

Imediatamente ouvi os teus gemidos misturarem-se com os meus e senti a tua explosão juntar-se à minha...num terremoto de energia e emoções que se fundiram.

Não tenho noção como...mas quando a consciência regressou ao meu corpo estavamos deitados lado a lado no chão do closet...jaziam à nossa volta os despojos daquela guerra...à nossa frente a cruz da rendição a um mundo até ali desconhecido para mim.

Olhamos um para o outro...ambos exaustos, com um sorriso parvo e um brilho indiscritivel no olhar.

@ LuzEmMim

 

 

 

 

 

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