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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

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Alter Ego

21
Abr19

Sabor do amor...


Laura Antunes

...As horas voavam... povoadas de expectativas... eram dias leves e apressados, em que o tempo não era suficiente para tudo o que precisava fazer.

Toda eu transparecia uma aura palpável de felicidade que me devia tornar mais atraente...sentia mais olhares que o normal pousarem em mim...pessoas mais chegadas comentavam o meu bom aspecto...respondia evasivamente, dever-se às férias recentes...

O fim de semana já se vislumbrava no horizonte...a contagem, inversamente à minha ansiedade, era decrescente.

Já tinha tratado de arranjar alojamento para o meu cão, como sempre a maior preocupação nas minhas saídas...tinha assegurado a viabilidade de faltar ao trabalho na tarde de sexta-feira para o ir deixar...e esperava receber a qualquer momento o bilhete de comboio que me irias enviar por email.

Sugeriste ser tu a faze-lo e não me opus...faltava-me isso para acertar o horário de chek in no hotel canino e combinar horarios, com a amiga que ficaria com o meu carro no Porto e me levaria à estação.

Ao fim da tarde recebi o email com o bilhete para impressão...saíria do Porto às 17.40h e chegaria a Santa Apolónia às 20.30h.

Parecia-me perfeito...só não percebia porquê Sta. Apolónia...quando sabia que a tua casa ficava a uns minutos do Oriente...imaginei ser uma questão da cp...perguntaria à noite onde deveria sair.

Acordamos falar só depois do jantar...ambos precisavamos de tempo para tratar de uma serie de questões práticas e sabiamos que começando uma conversa...desligavamos a chamada de madrugada.

Em casa, detive-me a pensar  sobre o que deveria levar para vestir...

Coloquei num pequeno trolley um necessaire com os básicos de higiene, beleza e maquilhagem;

Lingerie e roupa de dormir;

Roupa e calçado casual, que se poderiam coordenar entre si e elaborar visuais adequados a diferentes situações, dependendo dos acessórios, um vestido e umas sandálias mais sofisticadas e elegantes, para uma possivel saída.

As previsões apontavam para tempo seco e ameno.

Escolhi para a viagem um top traçado branco, uns calções de ganga curtos e umas sandálias de tecido vermelhas com apontamentos bege.

Completaria o look, uma mochila estilizada e um casaco de algodão.

Vestia-me confortável para a viagem mas elegante e cuidada...queria chegar à tua beira o melhor possivel.

Ocorreu-me a dificuldade que seria trabalhar de manhã, ir deixar o cão no hotel e seguir viagem para o Porto...não dava tempo...teria de faltar o dia todo...bem disse o trabalho extrordinário que fazia no sector do turismo que me permitia depois ter tempo disponivel  para utilizar nestas faltas.

Roupa para a viagem escolhida, mala praticamente feita, precisava ir jantar alguma coisa...a excitação comprimia-me o estômago e tirava-me o apetite...

O meu cão sentado numa interrogaçao muda troxe-me à realidade...detestava deixa-lo...era uma angústia...um espinho na minha felicidade...ajoelhei-me ao lado dele, abraçei-o, beijei-lhe a cabeça macia e falei-lhe ao e com o coração: "...és o menino da dona...sabes que nunca te vou abandonar...sabes que a dona te ama...vais ficar e portar-te bem...2a feira já estamos juntos...desculpa...a dona merece...tu sabes que sim...sabes que tenho de ir...ficas bem e eu volto para te ir buscar...passa num instante."

Ouvi um suspiro de resignação...sabia que lhe custava horrores ficar sem mim...sentia que tinha percebido o que lhe dizia...

Os corações arranjam sempre uma forma de se entenderem.

Obriguei-me a comer uma posta de salmão grelhado com uma salada de alface, pepino e tomate. Um gelado de avelã e chocolate foi o pecado da noite. Arrumei a louça do jantar na pia da banca, calçei as sapatilhas e saí para a rua, disposta a compensar o meu "menino" pela minha ausência próxima.

Caminhamos pela noite...deixei que demorasse o tempo que quisesse nas explorações e farejamentos da praxe...detivemo- nos a cumprimentar os nossos amigos caninos que se distribuiam por vários locais ao longo do percurso que habitualmente faziamos.

Regressamos a casa, ele cansado e satisfeito...eu, com o remorso mais apaziguado.

Dez da noite...tu ainda em silêncio.

Peguei no telemóvel para te ligar...pensei melhor e decidi dar-te mais um tempo...iria arranjar-me antes para me deitar...ligaria da cama, pronta para depois dormir.

Estava há uns minutos deitada quando o telemóvel tocou...chamada via whatsapp...não era usual...videochamada sim...chamadas, eram de melhor qualidade através da operadora.

Atendi e senti na tua voz uma frieza anormal.

Tentei que me disseses o que se passava, alegaste estar exausto e a precisar ir descansar...tentei indagar se querias ser acordado de manhã  e a resposta foi...surpreendente:

Irias trabalhar muito cedo...receberia pela manhã um email  com "instruções" para sexta-feira....

Fiquei atónita...boquiaberta, sem reacçao...ouvi-te desejar-me boa noite e desligar a chamada.

Incrédula tentei perceber se continuavas on line...parecias estar a despachar-me...continuavas...continuaste mais um minuto...e saiste...parecia... estares a observar-me... observar-te.

O teu  telefonema teve o condão de me despertar como um duche frio...veio-me à mente a conversa que tinhamos tido na montanha...então ía ser assim a minha iniciação no teu mundo? Qual seria o sabor? o sabor do dominio...o sabor do poder...

Curiosamente um poder que coloquei nas tuas mãos... amar-te era o teu unico poder sobre mim...

Naquele momento o amor soube-me a limão...verde.

@LuzEmMim

 

 

 

 

 

 

 

 

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