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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Alter Ego

19
Jul19

Real...


Laura Antunes

... O tempo que se seguiu foi de completa azáfama.

Passamo-lo entre resoluções práticas que tinham de ser tomadas para encerrar um ciclo da minha vida... prestes a terminar.

A minha decisão...foi recebida com espanto e incredulidade por amigos e colegas de trabalho.

Não dei a ninguém a possibilidade de opinar...a minha amiga mais próxima, atónita... ainda tentou refrear-me...pedir-me...ponderação...percebi a sua boa intenção... mas não permiti ingerências...nem dei muitas explicações.

No trabalho, aleguei que pretendia voltar a estudar numa outra área e que iria faze-lo um ano em Lisboa.

A licença sem vencimento foi-me concedida com efeito imediato, pelo que essa, acabou por ser a parte de mais fácil resolução...mais uns dias e estaria oficialmente desligada do serviço pelo periodo de um ano.

A parte mais dificil de resolver...por todos os motivos... era a questão da minha casa.

Laços afectivos... ligavam-me àquele espaço...cada objecto contava uma história...uma emoção...deixa-los para trás... custava-me...confia-los a mãos estranhas parecia-me impensável...mas aluga-la...sendo que, dali a um ano tinha de decidir entre desvincular-me definitivamente ou regressar ao serviço...era a opcção lógica.

Fechar simplesmente a casa, sem a rentabilizar implicava uma despesa, que pessoalmente a curto prazo, não iria ter forma de suportar...sabia que para ti, era um ponto assente faze-lo, mas isso deixava-me desconfortável.

Não tinha ainda abordado a possibilidade de arranjar trabalho em Lisboa, mas já o tinha decidido fazer...entretanto... para poder selecionar a quem e as condições do aluguer da casa teria de aceitar a tua ajuda.

Preparava-me, para ter a questão burocrática da licença sem vencimento, resolvida até ao final da semana...depois disso iriamos para baixo... a tempo de passarmos em Lisboa parte do fim da semana.

Quinta-feira, bem cedo o teu telemóvel tocou...insistentemente.

Olhei as horas...pouco passava das sete da manhã...ouvi-te resmungar qualquer coisa e atender rispidamente...a conversa resumiu-se a sims e nãos...até comunicares, antes de desligares, que te aguardassem ao final da manhã.

Saíste apressado da cama a dar-me conta que tinha surgido um problema com um cliente e que tinhas de estar em Lisboa ao fim da manhã.

Tentei perguntar se regressavas, mas já tinhas desaparecido para entrar no duche.

Deixei-me ficar na cama ainda embalada pela preguiça...o Eros vendo o seu espaço, ao meu lado, disponivel...ocupou-o...afinal era dele por direito.

Abraçei-o...mimei-o...sabia o que aquela mudança ía implicar na vida dele...isso inquietava-me...ainda mais que a minha própria adaptação.

Ía saber-me bem aproveitar aquele ultimo tempo ali, só com ele...afinal tinhamos sido só nós os dois a maior parte do tempo...e gostavamos ambos disso.

Saíste da casa de banho completamente nu...o teu odor inundou o quarto...a tua visão despertou-me os sentidos...sorri para mim mesma...pensamentos lascivos invadiram a minha mente...imaginei as minhas manhãs dali para a frente.

Dei pelo teu olhar fixo em mim...sorrias também...de forma insinuante.

" ... a menina sabe qual é a penitência para a luxuria?"

Corei...tinhas lido o meu pensamento.

"... neste momento não tenho tempo para... puni-la...preciso de sair já...mas fica registado..."

Suspirei e aninhei-me junto ao Eros...que também suspirou.

- " ... voltas quando?"

" ... não sei...mais logo falamos..."

Já me habituaras ao teu laconismo.

Em poucos minutos estavas vestido e debruçado sobre mim...beijaste-me de forma insinuante...sabia que me estavas a provocar...e sabia que aquele era um jogo que eu perderia sempre...conhecia o teu auto-controle e sabia que podias dominar o desejo até limites quase sobre humanos...resistir ao prazer imediato...fazia parte do teu encanto.

Não me surpreendeu parares subitamente a meio de um beijo carregado de promessas...virares costas e saires porta fora.

Ouvi a campaínha de vento pendurada na porta da entrada anunciar a tua saída...e...silêncio.

Parecias um fantasma que se esfumou no ar sem deixar rasto...olhando em volta era como se ali nunca tivesses estado...caracterizava-te a particularidade de não deixares vestigios da tua passagem...nem uma peça de roupa, uma ponta de cigarro...um copo usado...um qualquer produto de higiene...nada...absolutamente nada denunciava a tua presença ali.

Parecias um ser etéreo...cujo rasto se resumia a um odor que perdurava pelo tempo em que era sentido.

Dei comigo a divagar que poderias nem ser real...poderias ser só fruto da minha imaginação...poderias não passar de uma fantasia.

O som de mensagem no telemóvel...fez-me regressar à terra.

Peguei-lhe e vi em completa escuridão...palavras que iluminaram a minha alma:

"... já sinto saudades...bruxinha."

Sabia, que não precisavas de uma resposta... que sabias bem qual seria...mas no amor o óbvio quer ser dito...não por ser óbvio...por ser...amor.

Respondi:

- "...eu também...anjo."

Respirei fundo...era real...eras um anjo...real.

@LuzEmMim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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