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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Alter Ego

15
Abr19

Malagueta com travo a baunilha.


Laura Antunes

...Foram penosos os passos que tive de serpentear entre os comensais que se aglomeravam na esplanada e o teu carro, estacionado no parque.

Tinha a sensação de estar a caminhar despida por entre desconhecidos, perseguia-me a ideia que viam estampado no meu rosto afoguedo o que se acabara de passar naquele terraço...temia que o meu olhar meio alucinado me denunciasse.

Um medo que contraía cada musculo do meu corpo e potenciava a sensação de excitação em que me encontrava...ultrapassando os limites do que julgava suportavel.

Ambos num silêncio quebrado pelo silvo rouco da minha respiração cadenciada e acelerada, perfeitamente audivel antes de ligares o motor do carro.

Partimos sem destino...sem objectivo, na mais profunda expressão de liberdade que se tem a conduzir à noite em caminhos desertos.

Essa sensação acalmou-me o corpo e despertou-me a mente que reeniciou o processo de raciocinio e me aguçou o descernimento.

Sugeri-te um percurso que nos conduzia pela margem do Bestança, que sendo calmo de dia, estaria deserto aquela hora o que servia os intentos que a minha perversa mente arquitectava...

Esse caminho, recatado e sombrio oferecia-nos a possibilidade de apreciar a interseção desse rio idilico com o Douro e de avistar as suas margens.

Indiquei-te o local onde deviamos parar  sob o pretexto de apreciar a paisagem e convidei-te a dar um pequeno passeio...não senti que a sugestão te parecesse estranha...

Descemos umas escadas estreitas que tive de fazer com a tua ajuda e alguma cautela devido ao calçado que levava e ao breu do local...uns poucos metros adiante deslizava em águas cristalinas o rio já considerado o mais limpo da Europa.

Descalçei-me nas rochas macias que circundavam as margens...só se escutava a melodia das águas na dança que faziam pelo meio dos seixos...a luminosidade vinha das estrelas do céu e da lua que começava a encher, que refletidas nas águas sugeriam a presença de milhões de pirilampos...cigarras cantavam, aves nocturnas a quem devemos ter chamado a atenção voavam para mais próximo de nós em observação...até os peixes se surpreenderam pela invasão e sentiamo-los vir à tona da água em curiosidade...

Naquela imensa calma, fervilhava vida...tão dissimulada quanto as minhas intenções...

Coloquei-me atrás de ti e envolvi-te num abraço...colei o meu corpo ao teu e deixei-me ficar assim...sabia que esse contacto provocaria uma reacção...despertaria o teu corpo numa melodia de sentidos...sabia que não te moverias e ficarias a saborear o momento.

Retirei disfarçadamente a echarpe que trazia ao pescoço e lentamente fi-la deslizar em torno do teu corpo, num laço que te prendeu os movimentos...ouvi-te rir numa lembrança recente.

Coloquei-me diante de ti... vi-te imovel e com um brilho quente no olhar...ías alinhar na brincadeira e sentia-te na expectativa.

Como era uns bons centimetros mais baixa do que tu, a minha cabeça ficava-te pelo meio do peito...o odor que exalavas deixou-me ainda mais desperta se isso era possivel.

Estendi um braço na tua direcção, fixei o meu olhar no teu e passei as pontas dos dedos pelo teu rosto, toquei o espaço entre os olhos que contornei , detive-me na boca que acariciei, brinquei com as madeixas do teu cabelo e toquei-te os contornos das orelhas...

Prossegui viagem para o pescoço onde me detive naquela pequena reentrância abaixo do pomo de adão e senti o sangue pulsar ao ritmo cadenciado do coração...desci pela camisa que se abria até ao mar da tranquilidade, senti o calor que emanavas...ultimo vislumbre de pele.

Continuei a exploração... fui descendo e tocando um a um os botões fechados da camisa...sentia o teu corpo firme por baixo dela...toquei a fivela do cinto onde me detive uns instantes e deslizei a mão pelo fecho das calças...pela tua excitação palpável ao meu toque...voltei a fixar o meu olhar no teu e sem o desviar agachei-me lentamente à tua frente ficando com a cabeça ao nivel das tuas ancas...ouvi-te engolir em seco e fui baixando o olhar que deixei pousado aguçando-te a expectativa.

Contornei o teu corpo com os braços...desatei a encharpe, olhei-te nos olhos e disse:

" não aqui...a noite ainda está a meio."

Peguei nas sandálias, virei costas e caminhei descalça em direcção ao carro...depois de uns breves instantes de hesitação, ouvi-te respirar profundamente e seguir-me entre um riso abafado e nervoso:

"...és terrivel...as coisas que te tolero!"

Respondi-te entre risos:

" foste tu quem começou...abre lá o carro e entra para trás...hoje faz o que te digo!"

Encolheste os ombros em rendição e entraste à minha frente, ocupando o lugar mais distante da porta...entrei atrás de ti e tranquei as portas.

Segurei novamente a echarpe e perguntei-te: "posso?" Acenaste-me em sinal afirmativo e resignado.

Rodeei-te os pulsos num nó apertado...levantei-te os braços acima da cabeça e atei as pontas da echarpe ao suporte para mãos por cima da porta.

Imobilizado, percebi-te desconfortavel e expectante.

Deixei-me escorregar até ficar de joelhos no chão do carro...abri um a um sem me deter no teu corpo os botões da camisa que puxei devagar para fora das calças...observei-te...puxei a fivela do cinto até o abrir, desapertei o botão das calças e deslizei o fecho para baixo...ouvi a tua respiração acelarar...desviei os boxers e expus a tua masculinidade que apreciei por instantes...naquele momento nenhum de nós podia esperar mais...envolvi-te em beijos e deixei-nos ir até a tua essencia explodir misturada em gemidos de prazer que partilhamos.

Ambos exaustos e saciados desfiz os nós que te prendiam porque me bastavam os laços que uniam os nossos corpos e repousei a cabeça no teu peito...na boca o sabor da malagueta com um travo a baunilha.

@LuzEmMim

 

 

 

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