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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

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Alter Ego

21
Mai19

Calvário de delícias


Laura Antunes

...Via-te aproximar de mim pelas fendas da máscara...a sensação era a de estar numa realidade paralela...de eu própria naquele momento estar a sofrer uma duplicação de personalidade...sentia a máscara como um escudo que me protegia de expôr o meu eu e um filtro que suavizava o contacto com o teu.

Sabia ser impensável  crer, que eu e tu pertenciamos a mundos diferentes...a imagem refletida no espelho à minha frente, que era a minha, provava o contrário...estava ali, amarrada aquela cruz de livre vontade... e ao contrário do que suporia, não me sentia mal por isso.

O desconhecimento sobre mim mesma assustava-me e fascinava-me...

Perguntava-me sobre quem era afinal...via em retrospectiva a minha vida, todas as experiencias que tivera e muitas respostas claras surgiram para as minhas muitas insatisfações.

Olhava-te e sabia seres o companheiro perfeito para aquela viagem...o unico com quem a queria fazer...o unico capaz de me fazer embarcar nela.

O meu corpo aceitou antes da minha mente os gostos incomuns que partilhavamos...ao escolher-te como mentor, colocava nas tuas mãos o poder de seres meu guia nesta viagem de auto-conhecimento e propunha-me depositar em ti a confiança necessária para me deixar guiar.

Sabia estar num caminho sem retorno...sabia haver experiencias que tornariam banais muito do que tinha vivido e insignificantes as que pudesse viver.

Atingir um determinado nivel de conhecimento, eleva tanto o nivel que se torna muito dificil aceitar menos que a excelencia...é fundamental ter essa consciência e viver com o preço de uma vida quase sempre mais solitária.

A impermanência das coisas...o medo, não chegavam para me demover de tentar chegar à minha essencia...mesmo que no fim a descoberta viesse envolta em sombras e demonios que tivessem de ser dominados...mesmo que no fim o caminho sofresse uma bifurcação e cada um de nós escolha um diferente do outro.

Naquele momento...precisava desligar a mente e deixar-me conduzir pelo império dos sentidos...

Vi pelo reflexo no espelho que te colocavas atrás de mim...sentia a tua respiração no meu ouvido  e senti a lingua lentamente percorrer-me o lobulo da orelha...cada prega de pele...numa provocação que me causou arrepios e arrancou um gemido quando os teus dentes a envolveram numa ligeira pessão.

Moveste a exploração para a minha outra orelha enquanto os teus braços me envolviam e sem cerimónia uma das tuas mãos me expunha ainda mais e a outra iniciava uma dança de carícias capaz de em pouco tempo me fazer atingir um climax de prazeres inexprimiveis.

No meio das sensações que o teu toque me provocava, começou a salientar-se uma...inesperada e desfasada...uma ligeira dormência na pele que a arrefecia e anestesiava...

percebi ser o efeito do gel que esfregaras nas mãos que em contacto com a minha pela provocava aquele efeito.

A sensação de frio que me percorreu, arrepiou-me a pele e fez-me retrair o corpo mesmo sabendo-me imobilizada...olhei-te através da máscara em busca de uma explicação para aquela escolha.

" ... só estamos a começar...temos muito tempo...e não queremos terminar já...pois não?"

Percebi o objectivo.

As tuas mãos continuavam a explorar-me... a sensação térmica variava, como variavam os meus niveis de excitação...oscilando entre um prazer intenso que não evoluía e uma dor que era engolida pelo deleite que explodia de outros pontos do meu corpo que estimulavas.

Perdi a noção de quanto tempo passei naquele calvário de delicias...

"... não ouvi a menina pedir para parar...suponho que posso continuar..."

O teu ar maquiavélico fez-me esboçar um sorriso.

"...parece que... estou a ser brando..."

Foste até à mesa e voltaste de lá com o chicote e umas bolinhas pressas por um fio...que me intrigaram.

Passaste-me suavemente o cabo do chicote pelo corpo e olhaste-me fixamente nos olhos:

"... preparada...para gritar?"

Sustive a respiração...tinhas dito que aquele chicote marcava...invadiu-me um receio que me envolveu o corpo numa nuvem de suor pela expectativa.

Senti que aproximavas as bolinhas do meu corpo...inspirei instintivamente e quando o fiz senti a primeira invadir-me...as seguintes subiram pelo meu corpo com a pressão da tua mão.

A sensação era boa...impelia-me a contrair os músculos o que me proporcionava uma massagem involuntária que me acelerava a respiração.

"... estou a ver que a menina está a apreciar a experiência...nada que uns bons açoites não mudem..."

Voltaste a passar-te para trás de mim e senti as tiras do chicote em cheio no rabo...contraí os musculos mais pela surpresa que pela dor...seguiram-se outras chicotadas e o meu corpo reagia a cada uma dela contraíndo-se o que me provocava uma massagem sistemática pela pressão das bolas dentro do meu corpo que me estava a enlouquecer e me fazia soltar gemidos.

"... eu avisei-te...que te ía arrancar gritos...isto é só o começo..."

Interrogava-me sobre quanto tempo o meu corpo conseguiria suportar...aquele calvário de delícias.

@ LuzEmMim

 

 

 

                  

 

 

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