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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

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Alter Ego

05
Abr19

A conversa...inicio


Laura Antunes

...Subimos as escadas de mão dada, indiferentes aos olhares curiosos dos vizinhos, que em terras pequenas como a minha os estranhos provocam.

Fomos recebidos, mal abri a porta, pelo meu cão, ansioso por me sentir na rua e tão ou mais curioso que os vizinhos, que se dirigiu a ti numa cuidadosa inspecção, talvez no reconhecimento de um odor que já conhecia, mas a quem não sabia pertencer...isso e um interesse especial por um saco de papel que trazias na mão.

Reagiste com agrado à presença dele, deixaste-o passar-te em revista, como um porteiro, rondar-nos até se cansar das festas e ir deitar-se à espera de comer.

Mostrei-te o meu covil, parecias curioso... fizeste algumas observações sobre a decoração: os meus cristais, as minhas campainhas de vento, as muitas velas espalhadas pela casa...

Sentia-me nervosa e nesse estado de espirito e naquela situação concreta começei a falar mais do que o meu normal, acho que te apercebeste disso porque me abraçaste no meio da cozinha, imobilizando-me e ficamos assim, aconchegados, uns momentos num silêncio que me tranquilizou...que quebraste para sugerir ajudar-me a tratar do jantar.

Vi-te pegar no saco de papel que tinhas entretanto pousado na bancada da cozinha de onde tiraste um queijo de tamanho médio e uma garrafa de vinho.

Fui buscar a tábua dos queijos, uma faca e um saca-rolhas que te passei para a mão.

Cobri a mesa da cozinha com uma pequena toalha e dispus em cima dois copos e um prato com umas tostas.

Abriste o vinho e partiste o queijo enquanto eu punha os bifes a grelhar temperados com sal vermelho do Havai.

O queijo semimole combinava na perfeição com o vinho branco leve e frutado que fomos apreciando enquanto conversavamos animadamente sobre banalidades numa cumplicidade de casal.

Quando a carne ficou pronta, refresquei-a com sumo de lima e terminei o tempero com uma mistura de pimentas. Estava pronta a ser servida com a salada que já estava na mesa da sala.

Sentamo-nos, servi-nos a ambos e brindamos àquele primeiro encontro com o rosé fresquissimo que embaciava os copos.

A conversa fluia, o ambiente estava acolhedor e a comida agradavel...no ar pairavam suspensas no tempo as palavras que ambos sabiamos terem de ser trocadas e que adiavamos na esperança de não quebrar aquela magia...ou a nossa própria magia.

Terminamos o jantar e propuseste acompanhar-me à rua no passeio com o meu cão.

Senti-me feliz por o fazeres...desejava-o mas não to teria pedido.

A noite estava bonita mas mais fresca que as anteriores, a lua em fase minguante deixava ver um céu coberto de estrelas.

Fomos caminhando, eu dando-te a conhecer os locais por onde passava diáriamente sozinha, era-me agradável falar-te das minhas rotinas. Ouvias-me atento e interessado...perto de casa paramos para deixar o meu cão à vontade para explorar e antes de teres pronunciado qualquer palavra, pressenti que a hora da nossa conversa tinha chegado.

Proferiste num tom pausado e tenso que eu ainda não conhecia: " Laura, minha querida...temos de ter uma conversa!"

Respondi-te: " eu sei..."

Fizemos os poucos passos que nos separavam de casa num silêncio incomodo que antecipava uma conversa que poderia não ser fácil mas sabiamos ser inevitável e decisiva quanto ao nosso futuro juntos...ou separados.

Não sabia o que tinhas para me dizer, mas uma resposta eu já tinha:

Lutaria...por mim, por ti, por nós...

@LuzEmMim

 

 

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