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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Alter Ego

17
Mar19

O nosso Mundo


Laura Antunes

...Eos surpreendeu-nos ainda nus e abraçados nas margens do Paiva...

Dormimos ali, na manta, ao relento, cobertos pelas estrelas, embalados pela melodia das águas... ambos ainda ensonados e com um sorriso nos lábios, olhos brilhantes de pura felicidade e deleite.

Fomos a correr e em gargalhadas até à margem molhar os pés e os rostos para despertarmos.

Era hora de regressar ao teu abrigo na montanha, ou seriamos surpreendidos por alguém mais madrugador...nada tinhamos a esconder mas nada queriamos mostar. O percurso era curto por debaixo da ponte. Um cão ladrou e no cimo de um  muro um gato olhou-nos curioso.

Depois de nos vestirmos, fizemos café e viemos para o alpendre, receber sentados na tua cadeira de baloiço, o dia que começava, o primeiro de muitos que iriamos ver nascer juntos...porque ambos gostavamos de ficar acordados para o surpreender.

Olhei ao meu redor para absorver aquele lugar de uma nova prespectiva. É incrivel como o mesmo local se transforma consoante a hora e a luz do dia...ou da noite.

As montanhas, as árvores e a vegetação fundiam-se em matizes de verde com o rio que reluzia em reflexos dourados pelo sol.

As casas de xisto confundiam-se com a própria montanha...como covis de lobos.

Áquela hora, a vida que ali habita estava  toda ela desperta e os sons misturavam-se: natureza e humanos em harmonia.

Pessoas e animais pareciam curiosos sobre nós...na passagem para as suas vidas, viam-nos ali sentados naquele deleite de observação da paisagem que se estendia à nossa frente e cumprimentavam-nos, à boa maneira educada e gentil de terras pequenas mas também com a cusquice natural dos que tem o privilégio de ter tempo para conjecturas sobre a vida dos outros.

Suponho que nos viam como uma especie de distração para os seus dias calmos e sempre iguais...uma quebra na monotonia e no tédio...talvez também nos considerassem algo exóticos ou excêntricos e nos olhassem no intuito de conseguir ter um qualquer entendimento sobre o motivo do nosso deleite acerca de uma terra que sendo sua, a rotina lhes retirou a capacidade de perceberem o paraiso onde vivem...isso e a falta de termo de comparação.

Os animais, na sua pureza e inocencia,  sem conceitos de etiquetas ou territorios, não se privaram de nos vir dar as boas vindas de perto...cães entraram no alpendre em busca de carinhos e comida, gatos, mais arredios ao inicio observavam-nos de onde consideravam ser uma distancia segura... o espaço de um braço esticado...

Olhamo-nos nos olhos e  sorrimos com a alma...apontaste para um canto do espaço à frente e disseste que estavas a pensar semear ali girassois...

Imaginei-os em flor...aquele era o meu mundo encantado...o nosso Mundo.

Estava finalmente em casa!

@LuzEmMim

16
Mar19

...Amor...


Laura Antunes

...a conversa fluia com a naturalidade da água no leito do rio à nossa frente.

Petiscamos as iguarias que tinhas preparado, regadas com vinho e gargalhadas.

Falamos de tudo e de nada, rimos da vida e de nós mesmos numa ansia de descoberta do outro, em que cada minuto era uma confirmação de um conhecimento ancestral...uma cumplicidade inexplicavel onde tudo encaixava, onde um lia o pensamento do outro ao ponto de conseguir terminar-lhe os raciocinios.

Partilhavamos gostos, paixões, conceitos e filosofias...uma quimica emocional e mental que nos atraia num desejo sofrego de união...fizemos amor muito antes de nos tocarmos...com o coração, com a alma, com a mente.

O tempo parecia suspenso, também ele na expectativa do encontro dos nossos corpos...

A noite estava quente, acolhedora, convidativa...olhamo-nos e não foram precisas palavras... vimos o mesmo desejo, sugestão  e consentimento nos olhos do outro.

De pé, cobertos pela noite, iluminados pelas estrelas e pela lua cheia, despimo-nos um ao outro, nus, demos as mãos e caminhamos em direcção ao rio que nos acolheu nas suas tépidas águas...e foi ali, naquele paraiso de montanhas mágicas que os nossos corpos se uniram, num reencontro tão esperado como intenso.

Uma fusão de corpos e almas, dois alquimistas a criarem o mais sublime dos valores perante o olhar sagrado da Deusa e dos seus elementais...ondinas, silfos, gnomos e salamandras que entoavam canticos e dançavam em nosso redor...

Ao longe, na floresta e no mundo que julgo ser o real uma curuja piou e um lobo uivou e o som que ouvi em unissono era AAmmoorrr...

@LuzEmMim

 

 

 

15
Mar19

Brinde ao Amor


Laura Antunes

...esta noite a realidade superou a melhor fantasia.

Aquele cenário idilico era muito mais do que podia ter imaginado, tu muito além do que poderia ter desejado.

A noite luminosa... aconchegante.

No ar o cheiro e os sons das noites de Verão...

Nós, naquela imensidão, rodeados pelo que de mais sublime a natureza tem a oferecer.

Escolhemos um local plano e estendeste uma manta no chão com uma vista perfeita para o rio e para a ponte um pouco mais acima... Um lugar de contos de fadas, só para nós...simplesmente perfeito para o nosso primeiro reencontro.

Dispusemos em cima da manta as iguarias que tinhas trazido e fomos conversando sobre os nossos gostos, que sendo desconhecidos, eram comuns e tão familiares.

Trouxeste patês de diversos sabores, queijo da serra e doce de figo, chocolate negro e frutos silvestres, um vinho tinto maravilhoso e uma garrafa de champanhe gelada...

Descalçamo-nos e sentimos a frescura dos seixos do rio debaixo dos pés... Abraçamo-nos e mesmo rodeados de vida, era o bater dos nossos próprios corações que ouviamos...Olhamo-nos fixamente... em extase, com desejo que não queriamos conter...

O que acontece quando duas galaxias colidem?

Uma explosão de estrelas!

Acontece o mesmo quando lábios se unem num beijo, depois de eternidades de espera...

Nenhum de nós sabe quanto tempo durou aquele beijo...o tempo de um mergulho profundo no ser amado, onde se bebe o nectar da vida do outro, que é também a nossa própria vida.

Com a sede ancestral saciada, sorrimos um para o outro, exaustos, felizes, completos... unidos finalmente por um destino que é de ambos.

Sentamo-nos na manta, abriste o champanhe que ecoou em celebração e que derramaste em duas taças...brindamos a nós, à vida e em homenagem aquele sentimento.

A nossa noite começava assim...borbulhante, fresca e sensual como o champanhe das nossas taças...

@LuzEmMim

 

14
Mar19

Caixa de Pandora


Laura Antunes

...o percurso até ao teu mundo é sinuoso como tu próprio, não é de facil acesso... requer tempo, esforço e determinação. É um daqueles lugares mágicos invisivel a almas desatentas...e ainda bem, porque lugares sagrados não são para serem profanados.

Descemos a montanha e no vale escondia-se a tua toca de xisto...parecia um lugar encantado, suspenso no tempo: o sol do entardecer conferia um tom dourado às aguas cristalinas do rio que corriam debaixo da ponte centenária...unico som audivel naquele paraíso, onde até os pássaros aquela hora pareciam ter ficado imoveis para nos observar...

A sensação que tinha era essa, estar a ser observada...tudo parado, até o tempo e centenas de olhos postos em nós, a receber-nos,  a avaliar-nos...

Escolheste um caminho pedonal que passava por debaixo da ponte e a atravessava como um tunel, na margem do rio que dava acesso directo ao alpendre da tua casa, tão estreito e baixo que te sentia colado a mim e com a mão sobre a minha cabeça...demos aqueles passos em silencio, a absorver o momento e a relembrar os vividos noutras vidas...

Olhava-te e ao teu mundo, num reconhecimento, um retorno a casa, tão desejado e esperado que quando acontece nos dá aquela sensação de aconchego, de paz, tranquilidade e segurança que o que nos é familiar é capaz.

Sentamo-nos naquela cadeira de baloiço em silencio, aspirando o ar puro e vendo o sol a pôr-se entre as montanhas e a conferir uma cor unica a toda a vegetação envolvente...ouvimos o coaxar das rãs e o dos pássaros, também eles a retornar aos seus abrigos...ao longe um latido...um uivo...um chamamento, um apelo da natureza...

Senti a tua mão na direcção da minha e o calor que emana...seguraste a minha com força...senti mel a percorrer-me as veias...Ficamos assim, naquele extase não sei quanto tempo envoltos nos nossos pensamentos e naquela penumbra...

Nascia sobre nós um tecto de estrelas e uma lua cheia que iluminava tudo...disseste-me que era hora de jantarmos...ao teu lado estava um cesto de piquenique...ri-me, conhecia os teus reversos, dei-te a mão e caminhamos rumo à margem do rio... a caixa de Pandora, onde mora a esperança que guardamos por eternidades...

@LuzEmMim

 

 

13
Mar19

Montanhas mágicas


Laura Antunes

...há coisas sem resposta e por muito que tentemos arranjar explicações logicas para elas é um esforço inglório.

Nada me preparou para o que senti quando te vi...a tua camisa branca imaculada ofuscou-me pela alvura, mas foi a energia do teu olhar, que me toldou o raciocinio e me fez ter a sensação unica de sentir todo o meu corpo ser percorrido por centenas... milhares de borboletas que me imobilizaram com a força de um iman ao chão, talvez para que aquela sensação indescritivel se pudesse eternizar...se não no tempo, na memória.

Vendo-me estática a olhar-te, avançaste decidido para mim, talvez na expectativa que eu fosse só uma visão e me desmaterializa-se ou só porque te tivesses assustado pela possibilidade de poder desmaiar e cair desamparada no chão.

Cada passo que deste na minha direcção, senti-os como se revivesse uma história, de outra vida, talvez noutra dimensão...

A cada passo que te aproximavas sentia o perfume que despertava a minha Lilith pelo reconhecimento de algo ancestral, perdido no tempo e prestes a ter nos braços.

O conceito de tempo e espaço deixou de existir, eramos só duas forças prestes a unirem-se num abraço suspenso por eternidades.

Sentir o calor dos teus braços a envolverem-me, o teu cheiro, o teu peito contra o meu...magicamente tudo passou a fazer sentido, alquimicamente dois corpos eram arte, um sem o outro apenas peças soltas e desconexas.

De olhar fixo um no outro demos as mãos. Ambos sabiamos que aquele era o marco do antes e depois das nossas existencias e aqueles passos juntos, os primeiros das nossas vidas...digirimo-nos sem necessidade de palavras para o nosso destino a caminho da tua casa na montanha...ambos conseguiamos escutar o bater do coração do outro e musica... que nos convidada a dançar no cimo daquelas montanhas...

@LuzEmMim

12
Mar19

Rosa Coral...


Laura Antunes

Esta minha mente obsessiva e inquieta não me dá tréguas...não desliga e noite e dia conduz-me por labirintos onde por vezes me perco em considerações e rubuscados esquemas mentais na esperança vã de conseguir um qualquer resultado para a equação do meu sentir, uma resposta lógica para os sentimentos que ora me atormentam, ora são a minha razão mais válida de existir...

Vivo nos extremos e não conheço meios termos...uniu-nos a mesma intensidade e perspectivas ...falamos sobre as nossas solidões auto-infligidas e sobre a escolha de não nos contentarmos com menos do que sonhamos...

Sentimos na alma essa escolha e revemo-nos nas consequencias disso...

Ouvir-te era ouvir-me, eramos o reflexo da nossa essencia...como quem olha um espelho...

Sabiamos que eramos feitos da mesma matéria e o que isso significava.

Não sabiamos ainda era a dimensão do que ocorre quando existe quimica, paixão e amor entre dois seres como nós...quais são os limites, quando não há limites?

Começamos a descobrir quando os nossos olhares se cruzaram naquele dia na vastidão daquelas montanhas...ainda sinto o choque que percorreu todo o meu corpo nesse olhar.

Estavamos no meio do nada, mas estivessemos onde fosse, seriamos só nós e os nossos olhares...foi um reconhecimento de almas, um apaziguamento de espiritos, uma paz de quem alcançou um propósito...algo similar ao descanço do guerreiro.

Olhaste-me nos olhos uns segundos e o teu olhar percorreu-me e fixou-se naquele vestido rosa coral...como se tivesse chegado àquele primeiro encontro nua...

@LuzEmMim

 

11
Mar19

Anjo


Laura Antunes

Sabes, sempre acreditei em anjos... 

Sou reservada, desconfiada...nunca abro o meu coração rapidamente, quase nunca falo do meu verdadeiro eu...como sou extremante intuitiva consigo captar o que o outro espera de mim e ajo em função disso...assim evito mal entendidos que não quero esclarecer, nem deixo que alguém me conheça verdadeiramente.

Esta espécie de personalidade camaleonica que se adapta sem nunca se revelar tem um custo...

Quando te conheci todo o meu ser ansiava por encontrar outro similar com quem não fossem precisas máscaras. Sou um misto de fortaleza e de sensibilidade exacerbada.

Aço para quem me é indiferente, uma orquidea para quem amo.

Raras vezes me permiti ser vulneravel e mesmo assim fui dilacerada, o meu coração feito em papa, a minha mente quase enlouqueceu de dor e foram muitos e longos dias no mais frio e recondito esconderijo do meu covil, a reconstruir-me até ser capaz de me arrastar até debaixo da claraboia e olhar para cima para ver a Luz do dia... e muitos mais para me aventurar fora dali.

Eu precisava de um anjo...nem imaginas o quanto chamei por ti.

Queria falar-te de lobos... de silfos e salamandras, das musicas que gosto e poucos ouvem.

Queria falar-te dos meus sonhos...dos meus demonios, dos meus fantasmas.

Queria falar-te da minha Luz e do meu lado negro e queria que gostasses deles.

Queria ser a musa dos teus sonhos, a senhora da tua floresta, a mulher das tuas fantasias, a dona do teu desejo...

E tu vieste...uma noite tu vieste e chamaste por mim.

Iriamos dormir ao relento, amar-nos à beira rio cobertos pelas estrelas e pela lua cheia, ao som do coaxar das rãs.

Tu chamaste...e eu fui.

@LuzEmMim

 

11
Mar19

Sentir...


Laura Antunes

Vamos lá trazer um pouco de luz a um recanto desta mente obscura com dias sombrios...

Vai ser um longo e turtuoso percurso mas confio que valha o empenho.

Não acredito em coisas faceis, nem pessoas simples...e se existem não me interessam porque nunca me irão preencher e eu preciso sentir que na minha vida tudo, absolutamente tudo, vale a pena, faz sentido e tem significado.

Quando entraste na minha vida, senti que aconteceu porque tinha de acontecer...estava escrito nas estrelas que aconteceria...podia não ter sido naquele dia, daquela forma, mas certamente iria ser de outra, noutro lugar...

Há encontros que estão destinados a acontecer, precisam acontecer para que as missões individuais se cumpram...o nosso é um deles.

Eu não estava, nem tinha as emoções em saldo, hoje sei que precisava de redifinir o meu valor e tu és o fiel da minha balança.

Conheces-me e sabes das minhas fraquezas...essa confiança de nos expormos um ao outro é o que torna o que temos tão especial, tão unico e exclusivo...Vês o meu corpo, conheces a minha alma. Para ti, dispo-me  e confio vendada que sejam quais forem os recantos do corpo e mente que explores, nunca me irás ferir. Sabemos que ferir um é ferir o outro e neste nosso entendimento, nessa confiança absoluta, se alicerça esta relação incomum de duas pessoas fora do comum.

O tempo para nós não se rege por dias, horas ou anos, mede-se em momentos, em trocas, em simbioses perfeitas cujo poder alquimico nos transmuta.

O que sentimos um pelo outro transcende a logica ou a razão...aqui quem rege a orquestra é o coração...

Podemos estar a 30, 300 ou 3000Kls fisicamente um do outro, noutra galaxia ou dimensão, as nossas almas sempre estarão unidas e os nossos espiritos encontrarão sempre uma forma de se comunicar.

Perguntaste-me um dia como tinha a certeza...digo-te hoje o que te disse naquele dia: Sinto!

@LuzEmMim

08
Mar19

Limões


Laura Antunes

Sabes... a mim a vida também nunca me deu limões...

Deu-me uma sensibilidade exacerbada... uma propensão a ser obsessiva e um super poder...ver o que não existe!

Mas limões nunca me deu...ou estariamos juntos a beber uma limonada.

@LuzEmMim

 

08
Mar19

Now is the beginning...


Laura Antunes

Bem vindos ao meu sotão!

Este é um espaço sombrio, desarrumado e com muitos recantos...

Não é de facil acesso nem de entrada livre.

Mora aqui um lobo, que aprecia o sossego e a solidão.

Os lobos, pela essência, nasceram para viver em alcateia e este sente o apelo da própria natureza e um desejo profundo de união...por isso se colocou debaixo da claraboia e está a deixar que raios difusos de luz  o iluminem, a ele e ao seu covil na esperança de cumprir a sua missão.

Vem aqui de noite, porque a luminosidade fere menos e a magia é maior...

Convido a entrar, mas quem o faça tenha presente que um lobo...será sempre um lobo!

Bem vindos ao meu covil!

@LuzEmMim

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