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Alter Ego

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Hidden side of the moon... Reverse is the right side.

Alter Ego

29
Mar19

Ponto dois...


Laura Antunes

...caminhamos alguns minutos assim, em silêncio e sem rumo.

A cidade fervilhava numa vida contida pela hora, na noite tudo é menos explicito, mas mais intenso, num estado de espírito semelhante ao nosso. Atravessava-mos uma rua deserta, estreita e sombria, quando subitamente paraste e me empurraste contra a parede de um velho prédio, o teu corpo colado ao meu...sentia a tua excitação, o teu hálito, o calor do teu corpo. As tuas mãos nos meus pulsos que seguraste e levantaste acima da minha cabeça, imobilizando-me, emparedando-me...sentia a parede do prédio áspera nas minhas costas e o teu corpo caloroso no meu peito. Os teus lábios a milimetros dos meus, suspensos num beijo que tu teimavas em não dar...com um movimento rápido, passaste a segurar-me os pulsos com uma só mão e senti o teu corpo comprimir-me mais contra a fachada do prédio, a outra mão deslizou desde o meu pescoço, peito, cintura, anca...percorrias com a mão os contornos do meu corpo e parecias querer gravar-los para os passares para uma qualquer tela da memória. A tua mão ficou pousada na minha coxa, agarrava-a com uma leve pressão, enquanto me sussurravas numa voz que não conhecia: " quero que fiques comigo esta noite" 

Não era um pedido, não era uma sugestão, não era um desejo...era uma ordem! Uma ordem que o meu corpo, a minha mente e a minha alma queriam obedecer.

Tentei beijar-te mas desviaste-te o rosto, atenuaste a pressão sobre o meu corpo e reduziste a proximidade entre nós.

A tua atitude confundia-me.... Irritava-me, mas aumentava a minha excitação e o meu desejo nessa expectativa atingia picos que eu não conhecia.

Eu não me reconhecia...nem a ti.

"onde deixaste o carro?" uma pergunta simples, mas tão desenquadrada do meu estado de espirito e daquele contexto que a memória bloqueou...queria dizer o nome e não me lembrava, indicar o local e não conseguia...precisava reiniciar o meu sistema cognitivo e ancorar à terra.

Percepcionei que estava perto do parque e apontei-te a direcção, como deves ter percebido o meu estado de confusão, deste-me a mão, intimamente agradeci o apoio, não me sentia naquele momento, capaz de coordenar os movimentos e temia desiquilibra-me...

Andamos uns dois minutos em silêncio, o tempo de chegar ao parque. Sentia-me mais lúcida mas o contacto com a tua mão impedia-me de serenar...assimilei que a ida ali tinha como objectivo ir ao carro buscar as coisas para passar a noite contigo...

Cumprido o objectivo achaste mais confortavel fazermos o percurso de volta de carro e apanhamos um táxi do outro lado da rua.

Tiveste o cuidado de me fazer entrar para o assento atrás do motorista e indicaste-lhe o nosso destino. Apreciavamos a noite em silencio quando senti a tua mão no meu joelho que deslizou por baixo do vestido até meio da parte  interna da coxa, imobilizando-se nesse ponto. Senti-me ruborizar e o meu corpo responder ao estimulo. A percepcção que a tua mão estava a um palmo do meu corpo despido e exposto, à disposição do teu toque, que não estavamos sozinhos embora não estivessemos a ser observados nesse contexto, a expectativa de sentir a tua mão subir e tocar-me mais intimamente a qualquer momento estava a enlouquecer-me...sentia a pele quente e humida sob a tua mão e sabia que também o sentias apesar do teu aparente alheamento, que me deixava ainda mais alucinada. A uns segundos de chegarmos ao nosso destino retiraste a mão na minha perna e discretamente levaste-a perto do rosto numa inspiração profunda e audivel... o motorista assimilou o gesto como sendo de alivio pelo culminar da viagem e numa redundancia concluiu com um" chegamos" quando parou o carro.

Porém o teu gesto, felizmente ininteligivel para o motorista, tinha outro significado que só a nós dizia respeito... um sentido obscuro e erótico...sorveste o odor que tinhas na mão como quem inala um perfume e o aprecia...o teu suspiro foi de aprovação e desejo.

Quando desci do carro sentia as pernas trémulas e temia que o vestido que se colava ao corpo denuncia-se os niveis de excitação a que o meu corpo tinha estado sujeito.

A brisa refrescante da noite, ajudou o meu corpo a reencontar um pouco do equilibrio perdido.

No hall do hotel, lindissimo, em tons de cobre dourados, onde predominavam espelhos e mármores, passaste-me para a mão uma chave-cartão e ordenaste: " sobe e espera por mim!"

Todo o meu lado racional rejeitava a tua atitude...o meu corpo não acompanhava a minha mente. 

Peguei no cartão e digi-me ao elevador com a alma tão sobressaltada quanto o corpo...

@LuzEmMim

 

 

 

 

28
Mar19

Ponto Um


Laura Antunes

...enquanto lavava as mãos numa tentativa de me refrescar, ía revendo mentalmente o que acabara de acontecer na sala.

Sentia o gosto da adrenalina a percorre-me o corpo, os sentidos despertos e a imaginação aguçada.

Sentia a inspiração fluir apurada...nesse estado de consciencia alterado dirigi-me a uma parte reservada daquele espaço, fechei a porta, procurei dentro da mala  uma bolsinha de tecido acetinado que sabia ter, despi a asa delta que estava a usar, enquanto dizia para mim mesma: tenho nas mãos a escolha entre saber como é e imaginar como seria...guardei a bolsinha com a lingerie na mala. A minha escolha estava feita.

A ideia de fazer o caminho de volta pela sala até à mesa, sabendo que não estava a usar nada debaixo do vestido, começou por ser intimidante, mas estava a proporcionar-me sensações que não imaginava sentir...liberdade...sensualidade...o gosto da transgressão excitava-me tanto quanto a antecipação do que se poderia seguir.

Sentei-me e instintivamente cruzei as pernas, os teus olhos continuavam postos em mim numa interrogação sem palavras. Sentia que a minha postura corporal te aguçava a curiosidade e o desejo.

Entretanto tinhas feito o pedido do jantar, que chegou e interrompeu as nossas divagações.

Tinhas escolhido uns fantásticos tártaros de atum para entrada e um vinho branco seco fresco delicioso. Levantaste o copo num convite a um brinde que sugeriste ser feito àquela noite e ao nosso encontro, brindamos e  os primeiros momentos foram de apreciação sobre aquela degustação e sobre o cenário dourado e turquesa que nos envolvia.

Estavamos a iniciar o prato principal, um arroz Nero, com tinta de choco acompanhado de lulas panadas, quando centraste a conversa em ti...

Sem rodeios, quiseste saber o que pensava sobre ti. Não estava preparada para a pergunta nem apreciava comentar as minhas percepções que eram intuições, mas tu insististe.

Frisei o meu desconforto e quase me desculpei pelos juizos incorrectos que eventualmente fizesse, mas acedi ao pedido e disse o que pensava: 

" és um homem de bom gosto, seguro, confiante, de sucesso, culto e inteligente...

muito bem parecido, disse-to num tom mais baixo.

Ficaste uns segundos em silêncio, a interiorizar, supûs, o que te acabara de dizer...sûpus mal, porque estavas mentalmente a elaborar uma estratégia para abordar outro assunto...

"sou isso tudo e um dominador!" Aquela afirmação ficou suspensa no ar, parada no tempo , no espaço e na minha mente que não consegiu assimilar o seu real significado.

O meu ar aturdido provocou-te um sorriso incrédulo e prosseguiste: " sabes o que quero dizer, ou não?" Não consegui responder nada...Pousaste os talheres e fixaste-me.

" não sabes..." o teu olhar era um misto de surpresa e incredulidade.

Continuste: "minha querida...tu és...um achado!"

Voltaste à tua refeição e eu imitei-te a tentar assimilar o que se tinha passado ali e compreender o alcance do que dizias.

Decidiste esclarecer-me sem rodeios ou meias palavras: " um dominador Laura é um homem que na vida é um lider, que está habituado e gosta de mandar e que espera ser obedecido. É um macho Alfa, um lobo. No sexo é igual, porque a essência de quem somos é inalteravel. Há quem o assuma e quem viva frustrado, eu não vivo frustrado!

Não sei se me chocou mais a tua frontalidade se a revelação em si, quis argumentar mas não o consegui fazer de imediato...quando consegui que o meu raciocinio processa-se a informação o meu discurso não saiu coerente: " não percebo qual é o prazer que se pode ter em infligir dor a outra pessoa!" 

Senti-te ficar rigido na cadeira e o teu semblante endurecer, a tua voz soou áspera:

" Laura, onde foste buscar a ideia que tenho prazer a magoar seja quem for, ou que seja capaz de o fazer?"

Arrependi-me imediatamente do que tinha dito, os teus olhos mostravam um genuino desgosto que me magoou. Pedi-te imediatamente desculpas pelo que tinha dito, assumi a minha precipitação e ignorancia, pedi-te que me explicasses então o que era ser um dominador a nivel sexual.

O clima entre nós desanuviou um pouco e ficou menos tenso, tinhamos entretanto terminado o prato principal e o empregado recolhido a louça do jantar, eramos naquele momento tardio os unicos comensais na sala. Sugeriste uma tarde de queijo para sobremesa, aceitei e fizeste o pedido.

Aproveitaste o momento a sós para prosseguires com o teu raciocinio: "...um dominador Laura aprecia sexo, toma iniciativas, age por e para proporcinar prazer, o objectivo é sempre esse com a diferença que não há limites impostos para se chegar lá, tudo pode ser sugerido e deve ser aceite para se atingir o máximo, o êxtase... dor é a antitese disso. Quem inflinge dor são sadicos, quem a aprecia são masoquistas, eu não tenho essas caracteristicas"

Fui saboreando a conversa e a sobremesa que tinha entretanto chegado à mesa, uma delicia com frutos vermelhos.

Quando terminamos pediste cafés para os dois e um whisky para ti, discretamente pousaste a mão na minha perna meio descoberta...senti um arrepio, continuaste: se te desse instrução para ires ao w.c tirar as cuequinhas, ías sem questionar?

É assim que um dominador age, dá instruções e quer ve-las cumpridas...por prazer mútuo.

Sorri inigmaticamente...fixaste o olhar em mim e insististe: " Ías?"

Peguei na mala que tinha pousada ao meu lado, abri-a, tirei de lá a bolsinha acetinada e sem desviar o olhar do teu passei-ta para a mão. Pareceste surpreendido.

Abriste a bolsinha com curiosidade e quando percebeste o que continha fixaste-me com fogo no olhar, um fogo indecifrável.

Sugeriste sair dali e dar-mos um passeio a pé pela cidade, aceitei.

Vi-te pegar na bolsinha e guarda-la no bolso do casaco que tinhas ao teu lado.

Chegados à rua abraçaste-me pelas costas e pousaste a mão na minha anca ...começamos a caminhar assim abraçados...

@LuzEmMim

 

 

 

27
Mar19

Ponto zero.


Laura Antunes

...feitas as apresentações iniciamos uma conversa trivial sobre a beleza do local onde nos encontravamos e da cidade em geral.

A bebida, um dry martini, ajudava a quebrar o gelo, no caso não de um primeiro encontro, mas o daquela situação, para mim, inusitada.

Quiseste saber sobre mim...o que fazia ali. Resolvi apelar á criatividade e entrar no teu jogo de sedução...confesso que estava a gostar...e muito.

Não quis fugir completamente à minha realidade e por isso falei-te de mim como se nada soubesses...Disse estar a despedir-me das férias, que morava numa pequena vila entre o Douro e o Marão...naquele dia todas as possiveis companhias, que eram poucas, estavam indisponiveis, daí estar ali sozinha.

Falei-te das minhas paixões...lobos, cães, escrever.

Dos meus sonhos: Ter uma casa na montanha com espaço para ter animais de estimação, cultivar orquideas, viver rodeada de árvores e perto de um curso de água, ter tempo para escrever, não ter ditadura de horarios, cozinhar para quem amo...

Perguntaste-me quem amava. Fiquei em silencio a olhar-te fixamente... respondi: ainda ninguém...gosto de algumas poucas pessoas, já me senti apaixonada algumas vezes e por imaturidade ou impulsividade confundi paixão com amor, hoje sei que não era...

E tu? perguntei, qual é a tua história?

Sorriste...

Disseste que moravas em Lisboa, que eras advogado, que tinhas vindo ao Porto em trabalho e que irias ficar só aquela noite.

As tuas paixões eram o teu trabalho, viajar...

Eras uma pessoa reservada, mostravas pouco de ti apesar de bom conversador.

Inesperadamente, olhaste-me nos olhos e disseste: és muito bonita! Gosto da tua companhia! Corei...o que por todos os motivos seria improvável e agradeci o elogio.

Naturalmente, perguntaste: jantamos juntos? são dez horas, que te parece?

Porque não? Respondi, entusiasmada com a ideia. Perguntei se tinhas algum local em mente...aqui mesmo, respondeste, o restaurante é muito agradavel assim como o hotel com os quartos temáticos...vi-te um sorriso inigmatico nos lábios que me despertou curiosidade.

Ao dirigirmo-nos para o restaurante, ocorreu-me que aquele era um sitio caro, acima das minhas posses e senti-me um pouco constrangida com a situação que decidi abordar, dizendo-te a verdade e sugerindo que fossemos a um local que eu pudesse pagar.

Olhaste-me meio surpreendido e limitaste-te a responder: fui eu quem te convidou, não tens que te preocupar com esse tipo de coisas quando estiveres comigo.

Acedi e respondi um " para a próxima, escolho eu..." sorriste e disseste com um ar provocador: "isso é uma sugestão?" Corei de novo...

O restaurante era bonito e requintado, o chefe de sala mal nos viu entrar dirigiu-se a nós para nos indicar uma mesa que percebi tinhas reservado.

O ambiente era calmo e acolhedor, conversavamos sobre isso quando inesperadamente fixaste o olhar em mim e disseste: és daquelas mulheres intrigantes que confundem um homem! Fiquei tão surpreendida que a reacção instantânea foi revirar os olhos perplexa.

Eu intrigante! Era novidade para mim. Sempre me considerei bastante transparente.

Quis saber o motivo da tua opinião e a explicação foi surpreendente:

" existe uma especie de dualidade em ti que confunde, uma incoerência que refreia  qualquer impeto de abordagem , homens em geral são pragmáticos, preto ou branco, quer ou não quer. Lidamos mal com a rejeição...avançar no escuro é  arriscado e nem sempre a relação custo/beneficio vale  esse risco..."

Por aquela altura já me sentia uma especie acção em bolsa a ser avaliada numa aula de economia...

Continuaste: és uma mulher que emana uma sensualidade inata que atrai mas tens uma postura algo rigida que repele. Não tem a ver com o teu exterior que é apelativo em todos os sentidos é algo que vem de dentro e que impõe distancia.

Tentava acompanhar aquele raciocinio e ajuizar sobre ele.

Tu continuaste: depois de se conversar contigo a coisa piora, disseste-o com um riso ironico, é como estar a olhar para uma mulher e ver outra: descobre-se em ti uma inocência que não condiz com a tua imagem e não fazes ideia de como isso me fascina!

Corei mais uma vez, nunca ninguém me tinha desvendado com tanta precisão e tão rapidamente...pensando bem nunca ninguém tinha chegado sequer perto de o conseguir.

Se estivesse nua não me sentiria mais despida.

Para distrair a atenção de mim mesma, ri e comentei que deverias ser um excelente advogado.

Olhaste-me sério e respondeste: sou mesmo! dos melhores!

Não precisavas te-lo dito eu tinha-o intuido.

Precisava de me recompor e aleguei precisar ir ao w.c, era um escape mas era convincente e dava-me alguns minutos para reflectir sobre aquela conversa e discernir onde acabava a realidade e começava a ficção daquele encontro e daquele dialogo e sobre o sentido daquilo tudo.

Quando fiquei de pé, seguraste-me no pulso e numa voz baixa: " não posso deixar de imaginar a lingerie que esse vestido esconde..." Fixei o meu olhar no teu e a resposta até a mim, surpreendeu:

Não esconde nada,  trago vestido o que consegues ver...

Senti-te engolir em seco, tinha conseguido surpreender-te.

Cravaste os olhos mim enquanto atravessava a sala, sentia-o e sentia-me deslizar ou flutuar, o pavimento parecia não existir debaixo dos pés...entrei meio em transe naquele w.c, apoiei-me no lavatório sofisticado, olhei a imagem que o espelho refletia e não me reconheci nela...

Seria o despertar de Lilith ou abrir a Caixa de Pandora mas aquele era um ponto sem retorno, o dia que marcaria o antes e o depois de alguma coisa...

O quê...ainda me faltava descobrir.

@LuzEmMim

 

 

26
Mar19

Vamos brincar...o inicio


Laura Antunes

...Cheguei ao Porto, estacionei no parque habitual, tinha ouvido o sinal de chegada de mensagem logo após desligarmos a chamada e estava curiosa quanto ao local escolhido.

Vi a mensagem e sorri, não conhecias bem a cidade mas eu conhecia o teu bom gosto e não me surpreendeu a tua escolha: um lugar icónico da cidade, recentemente recuperado e reaberto. Estava perto do local e fui descendo as ruas àquela hora menos movimentadas por ser hora de jantar.

Viam-se turistas com ar animado e alguns moradores das imediações, provavelmente de regresso a casa depois de um dia de trabalho, com o ar de quem recorda as férias de Agosto com nostalgia e a resignação de ter doze meses para aguardar pelas próximas. Estava uma noite de Setembro agradável, com uma temperatura amena e uma leve brisa que convidava a um passeio à beira rio e uma bebida numa esplanada.

Cada passo que me aproximava do local, a Brasileira, sentia a pulsação acelerar. Ía o mais pausadamente possivel para contrariar a minha agitação interior. Senti alguns olhares à minha passagem...é incrivel como o estado de espirito emana uma energia que se materializa e ilumina as pessoas em alguns raros momentos.

Entrei naquele espaço requintado, olhei em volta à tua procura e de mesa para me sentar, não te vi e instalei-me junto a uma janela, de frente para a porta principal de onde supûs surgirias.

Respirei fundo, inconscientemente tinha vindo a suster a respiração e isso estava a cansar-me. Pedi uma água das Pedras fesca e fui apreciando os detalhes daquele espaço, bebendo, refrescando-me e acalmando...inesperadamante senti um perfume que reconheci imediatamente atrás de mim...um odor que passe o tempo que passar e esteja onde estiver me irá sempre fazer virar a cabeça para tentar descobrir entre a multidão onde está quem o emana...quando olhei na direcção que o meu olfato de indicava, tu tinhas passado por detrás de mim e estavas no bar ao balção, num patamar superior, de costas voltadas.

Sustive a respiração até que senti faltar-me o ar, o coração acelerou numa arritmia que seria preocupante se não estivesse ciente do motivo, sentia um misto de aflição e prazer...

Tu...elegante de cortar a respiração: todo de preto, camisa impecavel, calças de sarja e uns sapatos lindissimos de pele baça enrugada, um estilo casual chique que te acentava na perfeição. Enquanto te observada de costas, apreciava a tua elegancia, eras muito bem parecido, cabelo liso, um corte médio num desalinho arranjado...imaginava os teus olhos penetrantes, a tua boca bem desenhada e o teu rosto anguloso emoldurado pela barba de três dias que a ficar grisalha te dava um ar irresistivel e carismatico...

Continuavas de costas e eu nos meus devaneios...percebi entretanto que tendo surgido da porta atrás de mim e estando arranjado como estavas, te terias instalado no hotel dos pisos superiores.

Entretanto o barman colocou à tua frente uma bebida que não consegui identificar, pegaste nela e viraste-te lentamente...senti um arrepio.

Olhaste em volta, sem que o teu olhar sequer se detivesse em mim e dirigiste-te descontraidamente para uma mesa vaga do lado oposto onde me encontrava.

O teu olhar vagueou pelo espaço em contemplação e fixou-se no ambiente exterior que se avistava da janela em frente a ti. Parecias tão absorto nos teus pensamentos que quase suspeitei se não te terias esquecido que estava ali a uns passos de ti..ou isso ou se me teria tornado invisivel.

A tensão em mim crescia e atingia niveis que eu não sabia existirem e muito menos ser capaz de sentir...

Não sei quanto tempo passou...uma eternidade para mim até que lentamente voltaste novamente o teu olhar para a sala e percorreste-a...parando uns segundos em mim e continuando pelo espaço e pessoas presentes numa apreciação discreta e calma de quem tem todo o tempo do mundo e nada importante para fazer além de usufruir aquele momento solitário de tranquilidade.

Eu já não sei se fervia se gelava...estava a terminar a minha água e estava na expectativa sobre como agir...nesse momento os nossos olhares cruzaram-se e tu mantiveste o contacto visual. Vi nele um leve sorriso de aprovação mas sem qualquer sinal de reconhecimento ou intimidade.

O teu olhar distraiu-se novamente pela sala e parecias perdido em pensamentos só teus enquanto saboreavas em goles curtos a tua bebida...parecias deliciado e alheado do mundo que te rodeava.

A minha impaciencia natural depois de ter atingido niveis que desconhecia ser possivel suportar, para meu pasmo, inesperadamente, deu lugar a uma serenidade que não sei explicar como surgiu. Nesse estado eu própria me abstraí do que me rodeava e fixei o meu olhar em ti e assim fiquei, meio embriagada a observar-te sem pudores.

A minha atitude, obteve a reacção natural numa situação análoga...sentindo-te observado, retribuiste a atenção e os nossos olhares fixaram-se numa descoberta mútua, numa avaliação de intenções...durou uns segundos que me pareceram longos...sorri-te e tu inclinaste  o copo que tinhas na mão na minha direcção num cumprimento. Instintivamente peguei no meu copo vazio e imitei o gesto na tua direcção.

Vi-te levantar de copo na mão na direcção do bar, chamar o barman que antes te tinha atendido.. Eu continuava de olhos postos em ti. Um minuto passou até que uma bebida igual á que tinhas na mão foi posta à tua frente, pegaste-lhe com a mão disponivel e vieste na minha direcção...sustive a respiração.

Paraste à minha frente e com um leve sorriso, cumprimentaste-me com um "boa noite! e continuaste: acho uma chatice beber sozinho, se partilhar da mesma opinião que me diz sentarmo-nos juntos?"

Achei a tua abordagem deliciosa...sorri abertamente, afastei a cadeira ao meu lado, da mesa, num convite para te sentares  e disse um " boa noite!... Laura, muito gosto!"

Pousaste os copos, o que tinhas acabado de pedir ao balcão na minha frente, estendeste-me a mão num cumprimento, que no momento em que as nossas mãos se tocaram, senti como um choque electrico, a atravessar-me o corpo e a alma..." Emanuel! muito gosto também!"

Foi o inicio da nossa primeira brincadeira...

@LuzEmMim

25
Mar19

Vamos brincar


Laura Antunes

...atendeste, já estavas em viagem, só de te escutar senti a ansiedade crescer, o meu corpo reagia à expectativa de te ver...sentia um formigueiro na barriga, o corpo quente e a face ruborizada, liguei o ar condicionado do carro na tentativa de não transpirar.

A conversa começou trivial e bem disposta, perguntei-te onde iriamos, disseste que seria surpresa...ri-me: "tu e os teus mistérios!" respondeste. " nem imaginas quais!" Sorri para mim mesma...nem tu, pensei.

Como se lesses os meus pensamentos, perguntaste num tom de voz que me deixou em alerta: " confias em mim de olhos fechados?" Respondi sem pensar muito que sim. "então posso vendar-te esta noite?" perguntaste. A pergunta ficou no ar...em suspenso...as nossas respirações eram audiveis. Sim, foi a minha resposta passado não sei precisar quanto tempo.

"Então vamos fazer um jogo", disseste, " vou-te mandar por mensagem o nome e rua do local do nosso encontro, vais lá ter e vamos brincar aos desconhecidos...eu tento seduzir-te e tu deixaste ir...queres?"

O ar condicionado do carro não me impedia de sentir um calor tropical  e o vestido colado ao corpo. Se estivesse a andar a pé não estaria mais ofegante...respondi-te um "Sim" que saiu rouco, depois de me sentir a engolir em seco... tu respondeste um: "vou desligar, por causa da bateria" Sabia ser uma desculpa mas senti-me grata pela decisão, não me sentia com os sentidos alerta para conduzir em simultaneo com aquela conversa...

Em caso de acidente não fazem testes de adrenalina, ou bateria recores bem mais perigosos que o alcool ou qualquer alucinógeneo. Fiz um esforço mental para me acalmar e concentrar na condução mas a minha mente teimosa sabotava-me e a imaginação colaborava, elaborando cenários...nunca supûs que um tão alto nivel de excitação fosse possivel baseado em abstrações, mas é e rendi-me à evidência que a mais comum das coisas se pode tornar deliciosa...basta dissimula-la.

Uma novidade, que colocou em alerta máximo todos os meus sentidos...interroguei-me se esta era a minha natureza que tivesse sido desperta...talvez isso explicasse muito da minha personalidade inquieta, insatisfeita...

Não sei, mas ía descobrir...

@LuzEmMim

25
Mar19

Vestida para amar


Laura Antunes

...o teu tom de voz não me saia da cabeça...ecoava-me na mente, arrepiava-me a pele ainda molhada...a firmeza...a certeza de ires ser atendido no teu pedido para ir ter contigo, calou o meu espirito inquirior de uma forma que me intrigou...mas agradou.

Sou rebelde por natureza, contestatária, independente e muito senhora de mim. Sempre lidei mal com o ancestral e para mim caduco poder masculino que não reconheço e ao qual nunca me submeti. Mulheres/Homens são pessoas cujas diferenças são apenas isso ou mais valias, nunca motivo de qualquer laivo de superioridade, seja de que lado vier.

Não me revejo em estereotipos femininos ou masculinos, nem concordo que algum dos sexos necessite de adoptar comportamentos baseados em preconceitos para se afirmar ou provar ao mundo e si mesmo seja o que for.

Sexualmente, enervam-me falsos moralismos...tudo se resume a algo muito simples:

"o que é bom para o ganso, é bom para a gansa"  Simples!

Nestas conjecturas, fui-me arranjando: escolhi um vestido ainda por estrear num estampado floral em tons de preto e vermelho escuro, acima do joelho, de um tecido vaporoso. Um corte elegante, que traçava no decote e na parte debaixo como um envelope... sugestivo mas que deixava espaço à imaginação. A lingerie nova em renda  vermelho escuro, num misto de sofisticação irreverente casava na perfeição com o vestido e realçava-me a silhueta.

Umas sandálias pretas de salto alto finalizavam o look.

Sentia-me bonita e elegante. O ar exotico de sempre, mais maquilhada o que realçava os meus olhos amendoados e intensos e um batom vermelho sensual.

Os acessórios resumiam-se a uns pequenos brincos, um anel na mão direita e uma pulseira com as minhas contas preferidas...uma pequena bolsa e uma nuvem de Nomade...Estava pronta!

Num pequeno saco as surpresas da noite...

Olhei-me uma ultima vez ao espelho...sentia-me bonita e acima de tudo amada...desejada...o que só por si me faria estar fantástica.

Uma hora de carro, marquei o teu numero, pûs o telemóvel em alta voz e arranquei...

@LuzEmMim

22
Mar19

Novos Mundos...


Laura Antunes

...não contamos os dias e horas que passaram desde que nos reencontramos, o tempo não existe para os amantes...apenas momentos vividos intensamente e eternizados na alma e na mente

Fora do nosso mundo a vida continuava com as rotinas de sempre e era impossivel fugir-lhe, mesmo ainda de férias.

 Naquele dia levantamo-nos cedo, tinhas de ir a Lisboa resolver uma situação de trabalho e eu tinha coisas que precisava tratar em casa, demoraria pouco mais de um dia, o suficiente para me sentir oprimida...a razão mostrava-me mil e um motivos para desvalorizar essa curta separação, mas o coração não sentia da mesma maneira e já sofria com a tua ausencia.

Sentia-te tenso e isso também me incomodava.

Combinamos ir falando ao longo da tua viagem, quiseste que te prometesse dar noticias mal estivesse em casa...sabia que te preocupava o percurso pela montanha que tinha de fazer, curto mas sinuoso.

Despedimo-nos e foi uma estranha sensação de perda que se gravou no nosso olhar...

Parecia que de repente o sol perdera brilho e as cores intensidade.

Mandei uma mensagem quando cheguei a casa e ligaste de volta...tudo em mim vibrou ao som da tua voz...como eu gostava do teu timbre... era veludo, sussurrante, pausada....insinuante...

Ainda te faltavam umas horas de viagem...disseste que já sentias saudades...estremeci por dentro.

Combinamos que falariamos ao fim do dia.

Sabia  que  ira  contar os minutos...e contei-os!

Quase ao fim da tarde ligaste, pareceste-me inquieto ...disseste-me meio a rir que ias tomar um banho  de civilizaçao: encher a banheira com água lisboeta, ouvir uma musica e relaxar.

Vieste-me nú à memoria...como queria  partilhar aquele  momento  contigo.

Desligamos mas a minha imginação não...sentia o teu odor no banho...via-te sair da banheia a escorrer água pelo chão da casa, enrolares uma toalha à cintura, servires-te de uma bebida, acenderes um cigarro, os teus vicios...e sentares-te naquele sofá vermelho das minhas fantasias a olhar o Tejo.

Esta visão ainda que imaginada, mexia com a minha Lilith...despertava-me o império dos sentidos...

A expectativa do prazer consegue ser muito inquetante...

Fui interrompida nestes devaneios pelo toque do telemóvel, sabia que eras tu e corei...parecias ler pensamentos... atendi, meio ofegante e ligeiramente transpirada.

O que me disseste a seguir paralisou-me numa explosão de adrenalina e sentimentos nunca antes vividos e sempre desejados.

"Está no Porto daqui a três horas, arranjada para jantarmos e com roupa para ficares a noite.

Hoje...esta casa... sinto-a vazia...não quero estar sem ti...vou mostrar-te outro lado do meu mundo."

O teu tom de voz era firme, convicto, com um quê de contundente novo para mim...que fez vibrar umas cordas cujo som me era desconhecido e gerou uma especie de encantamento...capaz de me fazer segui-lo sem muitas interrogações.

Conseguia ouvir o bater do meu coração...e sentia uma alegria na alma que transbordava por cada poro do meu  corpo.

Três horas...bem-disse a ideia de ter comprado umas roupas novas e diferentes...a intuição é tão maravilhosa quanto util!

A minha mente antecipava aquele encontro, o meu coração desejava-o tanto que estava a atrapalhar o meu corpo a reagir...um banho, iria começar por um banho para o acalmar, para me acalmar...queria estar no meu melhor, nessa outra face do teu mundo, que era o meu também, só não o sabia ainda...

@LuzEmMim

 

20
Mar19

Sortilégio da Lua


Laura Antunes

...e todas as promessas foram cumpridas naquela noite sublime em que os lobos se calaram e só a lua uivava, também ela a chorar um amor perdido, ou no apelo pelo seu retorno.

Conta a lenda que numa noite, a lua na fase cheia se aproximou tanto da terra que ficou presa nos ramos das árvores. Foi um lobo que a ajudou e durante essa noite lua e lobo vaguearam juntos pela floresta conversando, cada um dando a conhecer ao outro o melhor dos dois mundos...Apaixonaram-se, mas era uma relação impossivel.

A lua antes de partir levou com ela a sombra do lobo como forma de eternizar aquele encontro...Em noites de lua cheia o lobo chama pela sua amada e ela mostra-se com a sombra do seu eterno apaixonado tatuada.

Lua e lobo dois amantes com encontro marcado por toda a eternidade.

Ambos integros...o lobo e o seu espirito...a lua e o seu fascinio.

Nós e o nosso destino.

Naquela noite, depois de jantar fomos caminhar pela floresta, sentir-lhe o odor e admirar a tonalidade prateada que tudo à nossa volta tinha adquirido: pós de lua misturados com pós de estrelas, uma visão mágica naquelas montanhas mágicas.

As velas no alpendre ainda ardiam quando os nossos corpos se entrelaçaram numa dança com musica que só nós escutavamos...alheados num mundo só nosso numa simbiose perfeita de corpos e almas que se unem num só e se juntam à magia daquele local.

Pode ter sido uma eternidade ou uma fracção de segundo...não sabemos! afinal o que é o tempo?

Acordamos na tua cama, já o sol ía alto, nus e enlaçados...sussuraste-me um beijo e apertaste-me contra o peito...

Ao lado da cama, no tapete o meu cão levantou a cabeça, olhou-me, abanou as orelhas, suspirou e voltou a dormir.

Aquilo era felicidade em estado puro.

@LuzEmMim

 

18
Mar19

Cozinhar...Amor


Laura Antunes

...hoje cozinho eu...

Cozinhar é um acto de amor...pensando bem tudo pode ser um acto de amor, quando é feito com Amor.

Foi um acto de amor teres preparado aquele cesto de piquenique para o jantar do nosso primeiro reencontro, como foi um acto de amor teres proposto ir buscar o meu cão para junto de nós...tu, que nem habituado estavas a conviver com animais em casa...

O Amor tem muitas faces e expressões...cozinhar é uma delas.

Senti-me um pouco insegura...não estava no meu território e queria muito que tudo saísse perfeito, não me merecias menos que isso.

Segui a minha intuição e os recursos que tinha à mão, o resultado provou que quando o principal ingrediente de um prato é Amor, não há forma de errar.

Preparei um costeletão de vitela da região no forno. Uma versão experimental da de Lafões, com uns upgrades que não correram mal.

Arranjei a preceito a mesa do alpendre, com uma toalha de linho que encontrei, uma jarra com hortensias que fui buscar a um terreno baldio ali perto ( temos mesmo de semear os teus girassóis e eu os meus bolbos de orquideas) espalhei velas que encontrei na casa pelo espaço exterior.

Trouxe almofadas de casa para as cadeiras exteriores.

A mesa de frente para o rio, com a ponte do lado esquerdo, rodeados de montanhas e arvoredo, com os ultimos raios de sol a darem matizes de verde dourado ás folhas das árvores era idilico, sublime, perfeito!

Quando o sol se pôs começamos a ver nascer no céu azul alaranjado pontos brilhantes cada vez mais visiveis à medida que escurecia...íamos ter um tolde de estrelas, uma noite linda de Verão...tépida e sensual.

As velas acesas, em perfeita harmonia com o cenário bucolico e romantico.

Estavamos ambos vestidos de forma despretenciosa mas cuidada, eramos apreciadores do belo em todas as expressões e concordavamos que cuidar da própria aparencia era também uma forma de reverenciar quem estava conosco.

Enquanto a vitela acabava de assar, serviste-te-nos de um vinho branco seco gelado que fomos degustando à medida que eu ia trazendo para a mesa uma salada de alface, com figos pingo de mel e meloa fatiados. Entretanto tinhas posto a tocar em surdina musicas de uma das nossas bandas de eleição...Ainda tivemos tempo de simular uma dança algo erótica...

Pronta a carne, sentamo-nos para jantar...cheirava divinamente...sabia ainda melhor: tenra e suculenta com o travo do sal rosa dos himalaias e do mix de pimentas, preta, branca, vermelha e verde que encontrei na tua cozinha.

Aquele jantar era um apelo aos sentidos...um convite subtil a mais, melhores e diferentes experiencias.

Olhamo-nos com desejo e brindamos ao que o amor nos traria e onde nos levaria...a noite estava a começar e sabiamos que terminaria quando os primeiros raios de sol nos surpreendessem abraçados...até lá muitas promessas a noite nos fazia.

@LuzEmMim

 

 

 

18
Mar19

Ikigai


Laura Antunes

...Sabes que estás no teu Ykigai quando tudo flui sem resistencia.

Dias, horas ou minutos não são a medida do tempo...tempo são momentos, sensações...vida.

Neste caminho não existe ditadura de horarios: dormes se tens sono, comes se tens fome...conversas uma noite inteira ou vais passear no silêncio.

Não trabalhas, realizas tarefas  que aprecias genuinamente, não te sacrificas, empenhas-te.

Neste conceito o ganho monetário é a consequencia não o objectivo.

Neste percurso não estás sozinha nem nunca te sentes só...podes ser simplesmente quem és, sem máscaras, sem ter de engendrar papeis porque sentes que ao teu lado tens alguém que te aceita como és, com virtudes e fraquezas, que fica feliz com o teu sucesso e te ajuda nas tuas limitações.

Confiança...o pináculo e a base de relações como esta, como a que criamos, onde tudo é possivel, onde o limite é trazer ao de cima o melhor de cada um para o bem dos dois.

Fomos buscar o meu cão e regressamos à tua casa de xisto...ele louco de alegria por se sentir num espaço aberto, nós loucos um pelo outro e por estarmos a viver estes momentos de deleite e harmonia.

Deambulamos pela aldeia, rimos e conversamos...também sobre os tempos mais próximos, o fim das férias, o regresso ao trabalho, o teu inevitavel regresso a Lisboa...

Ali no meio do nada... ou do tudo... é facil perder-se a noção dos limites...Tudo é simples, possivel...mas a noção de que duas realidades têm de ter um ponto de intersecção para uma nova vingar tem de existir.

Decidimos pensar sobre as possibilidades para as conversar, mas hoje, agora, iriamos só viver o momento...hoje cozinhava eu...

Amanhã iriamos mudar de cenário...queremos trazer para o nosso mundo, o melhor de dois mundos: simplicidade e sofisticação...mas hoje cozinhava eu...

@LuzEmMim

 

 

 

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